Uma Praça e um Bode
No seu primeiro mandato o prefeito de Aracaju-Se. Construiu ou reformou muitas praças,
postos de saúde, escolas, ruas etc. Uma das praças Reformada, remodelada e modernizada foi a Praça Dr. Ulisses Guimarães no bairro Santos Dumont na zona norte.
Tem lá também um campo de futebol que estava largado às traças e que foi cercado com armações e telas de ferro, recebeu um gramado novo e iluminação. Além de bancos uma espécie de arquibancada para torcedores, olheiros ou simples observadores.
Dentro do campo lado direito da trave que fica ao norte tinha uma casa que em outras épocas servirá como vestiário para os jogadores.
Nesta casa um Sr. aliado do Governo estadual da época. Que por sua vez fazia oposição ao Prefeito. Com o objetivo de fixar morada naquele espaço publico. Criou uma escolinha sem alunos ou Professores.
Ali, ele que fora candidato a vereador, guardava na verdade; panfletos, faixas e outros materiais de campanha, dele e do seu Partido, por coincidência o mesmo do então Governador.
Fez ele de tudo para se manter ali, o que atrapalhava o fim das obras. Pois na nova proposta para o campo aquela casa não cabia ali. Em assim sendo não era possivel entregar aquela área de lazer para a comunidade local com aquele mostrengo arcaico.
Nesta época eu era assessor do gabinete do Prefeito e comandava uma equipe que comigo eram sete. Tínhamos rádios transmissores, um veiculo utilitario com placa especial, coletes defletores, lanternas para sinalização noturna ao transito e cones com faixas defletoras para a guarda do local para a comitiva do Prefeito.
Eu era o F1 o segundo no comando o F2 e assim ate o F7. Nos preparávamos o local a ser inaugurado, fazíamos o roteiro para a comitiva, iluminação do local quando necessário, conduzíamos a bandinha, soltávamos fogos, fazíamos a segurança na entrada do palco. Podíamos acionar a guarda municipal, a SMTT, definíamos a colocação da placa comemorativa, levávamos agua para o Prefeito e convidados, algumas vezes balas de gengibre pra garganta dos oradores. Éramos sempre os primeiros a chegar e os últimos a sair. Éramos uma especie de cerimonial e seguranças. Ou seja fazíamos de tudo.
Ante o Impasse causado pelo dito Sr. para não desocupar o local. O então Presidente da EMURB (Empresa Municipal de Urbanismo) Me perguntou como fazer para tirar o cidadão de lá.
- É só o Sr. Prefeito autorizar que eu faço ! Respondi.
O Presidente entrou no gabinete do Prefeito, conversaram e ao sair me diz que fora autorizado.
Entro eu no gabinete e pergunto;
- Prefeito é para eu desocupar o local ou a prefeitura ?
- A Prefeitura ! Foi a resposta.
Um companheiro nosso que estava como porta-voz politico da EMURB. Ao saber que eu iria fazer aquilo que a seis meses ele tentava e não havia conseguido. Adentra com um raio em minha sala na tentativa de me intimidar.
- Estou na EMURB a mais de um ano e deste então ela esteve fora das colunas de reclamação da midia. Se você for tirar de lá Fulano de tal a força vai se ver comigo !
Eu que já roí osso muito mais duro, me levantei encostei minha testa na dele e respondi;
- Vou tira-lo de lá de uma forma ou de outra ! Quanto a você dê seu jeito.
Ele como diria minha Avó. Saiu com o rabinho entre as pernas.
Procurei a fiscalização da EMURB. Onde soube que nenhuma notificação fora enviada. Solicitei que lhe mandassem uma notificação dando-lhe 72 horas para desocupar o local, que me enviassem copia. Passado este prazo ele recebeu uma nova notificação para 48 horas e eu a copia.
Por fim após mais este prazo vencido ele recebeu uma outra com o prazo de 24horas, mais uma copia pra mim.
Haviam-se passado seis meses nesta pendenga antes d'eu entrar na historia, agora alguns dias a mais não mudaria nada.
Fui me preparando. Guarda Municipal, Uma draga e caçambas da EMURB. Policia militar e
o pessoal da comunicação "Fotógrafos."
Descobrir que este senhor tinha um carro de som. Como estávamos próximos às festas Juninas. Pedi a um amigo meu que contratasse o carro de som dele por duas horas naquela sexta-feira para anunciar no centro da cidade, sua banda de pagode. Mas que mandasse um dos componentes munido de Celular provido com o numero do meu, acompanhar o cidadão.
Paguei a época do meu bolso o que nunca foi restituído, R$ 40,00 (quarenta reais) por estas duas horas. Qualquer problema que houvesse o rapaz que o acompanhava deveria me comunicar imediatamente.
Numa sexta-feira chuvosa 23 de Junho, véspera de São João por volta das 14h. Entramos na casa. Tive que arrombar a porta. Comigo estava o fotografo e um Sargento da policia Militar. Após ter sido tudo fotografado o pessoal da EMURB começou a transportar os pertences pessoais do cidadão já citado para as caçambas.
Quando a draga começa a se posicionar começa um tumulto na parte mais elevada do terreno fronteiriço ao campo. Escuto quando alguém grita;
- Vamos lá pra dentro, vamos ver se eles têm coragem de derrubar a casa com agente dentro.
Corri em direção ao povo enquanto gritava;
- Sargento, não deixa descer ninguém. Então já no meio do povo perguntei a um rapaz sem camisa dos seus trinta e poucos anos;
- Quanto você ganha ?
- Estou desempregado !
- Tem casa própria ?
- Moro de aluguel !
- Paga energia, paga agua ?
- Claro !
- Você acha justo que este cidadão que tem um CC (Cargo Comissionado) de R$ 1.500,00 (hum mil e quinhentos reais) " Na verdade ele percebia R$ 750,00 (setecentos e cinquenta reais)" não trabalha, mora de graça, em um lugar onde o Prefeito quer construir um parque infantil, não paga energia ou agua, é solteiro e quer viver às custas dos outros ?
- O rapaz tem razão derruba mesmo. Gritou alguém então o pessoal espalhou-se.
Dei foi uma tremenda sorte na escolha da pessoa a quem me dirigir !
Assim que da casa restou só escombros. Liguei para o Presidente da EMURB.
- Serviço feito. Desliguei e fui embora.
Soube depois que alguém ligou o cidadão comunicando do ocorrido.
Naquela noite fui para mais uma tarefa, tomar conta do camarote do Prefeito na arena do Forro Caju. Lá pelas 22hs chega o Sr. Prefeito acompanhado da primeira Dama. Ao subir os degraus de acesso, segura com a mão esquerda meu braço esquerdo e ao meu ouvido comenta;
- O homem foi pro radio, esculhabar com agente !
- Qualquer coisa o Sr. pode dizer que fiz sem a sua autorização. Falei !
Como eu havia calculado por causa das festas Juninas ele não teve muito espaço na midia e não se ouviu eco.
Na segunda-feira ele conseguiu reunir, não mais que dez pessoas na frente da Prefeitura. Onde com seu carro de som bradava sua perda.
O campo foi finalmente inaugurado, o porta voz nervosinho continuou no cargo sem estresse,
a comunidade satisfeita, o cidadão não ficou na rua porque morava com a mãe. E tudo segui seu curso normal.
Psiu, Psiu o cidadão recuperou todos seus pertences.
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