terça-feira, 22 de maio de 2012

TRECHOS DO LIVRO "MINHAS MEMORIAS"

               Deveria eu ter uns dez anos de idade e morava na rua Distrito Federal esquina com a rua Florianópolis no bairro Siqueira Campos em Aracaju - Se.
               Nesta mesma rua residia um santeiro. Profissão hoje praticamente extinta.
               A rua Florionopolis era praticamente intransitavel com esgoto a céu aberto. Porcos chafurdavam, cavalos, vacas e cabrito pastavam sem serem incomodados.
               A rua Distrito Federal de piçarra era a principal via por ali. entretanto não menos maltratada. Nesta rua tinha uma vila imensa conhecida como " VILA DO ZÉ GAMELA" Zé Gamela era o apelido do proprietario. Porém a não ser D. Santa, sua esposa. Uma senhora de quase um metro e oitenta e pesando mais de duzentos quilos. Ninguém se atrevia chama-lo assim.
               Contam as más línguas que em uma discussão entre o casal D. Santa "que de Santa nada tinha" pegou um coco seco com casca e atirou na direção de seu José exclamando;
               - Vc tem mesmo cara de gamela.
               O coco foi atirado com tamanha força que após seu zé desviar-se, o míssil bateu em um coqueiro adulto rachando o mesmo ao meio.
               Como eu dizia; na vila morava um santeiro e sua esposa, D. Nega. Uma mulata, bonita, forte com aparência de uma índia. Cabelos negros, longos fios grossos, rosto oval, olhos negros pele lisa e escura sem ser negra quase vermelha parecia ter uma estrutura bem forte. Porém se você perguntasse;
                - Como vai D. Nega ? Vinha um verdadeiro rosário de lamentações;
                - A meu filho minhas costas estão me matando, doí a cabeça, minhas pernas é um fogo só etc, etc...
                Na visão de qualquer leigo parecia que Dona Nega vivia vendendo saúde.
                Bem, quando o santeiro viajava para vender suas imagens. Pedia-me para ficar à noite com D. Nega para que ela não ficasse só.
                Da ladainha do doí tudo eu nunca escapei,  acredito ate que o santeiro passava tantos dias longe de casa pra ficar livre, mesmo que por alguns dias do rosário de lamentações. Para premiar minha paciencia ele me presenteou com um quadro com a imagem de Santo António.
              
                                                    LUÍS FERNANDO BARRETO

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